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18 de Maio de 2021

"É dureza assaltar uma loja de armas, porque tem armas lá"

Rodolfo Agra, Estudante de Direito
Publicado por Rodolfo Agra
há 4 anos

"É dureza assaltar uma loja de armas, porque tem armas lá"

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Você já deve ter escutado essa frase algumas vezes, principalmente se você é fã de “Todo mundo odeia o Chris”. A frase é de um criminoso da série que se chama Malvo, interpretado pelo falecido ator Ricky Harris, que lamentavelmente sofreu um infarto, ano passado.

O fato é que a frase resumiu bem um caso que aconteceu no estado do Espírito Santo, onde apenas a loja de armas ficou aberta diante de um caos. O estabelecimento é especializado em armas, artigos de defesa, defesa pessoal e equipamentos para agentes da polícia e seguranças.

A gerente da loja relatou que manteve o estabelecimento aberto todos os dias, pois, apesar de não ter policiamento, ela se sentia mais segura. “As pessoas até ligam para cá perguntando sobre armas ou coisas do tipo, mas são muito poucas as que acabam vindo até a loja, por causa do medo”, disse a gerente.

Pois bem, diante de todo um cenário caótico a loja felizmente não foi assaltada, e isso deixa muito claro que os criminosos temem a lugares onde suas vítimas podem se defender. Eles jamais iriam se arriscar entrando em um ambiente onde provavelmente seriam mortos. É dureza, como diz o Malvo.

A frase do personagem fez muito sentido nessa situação e em outra nos EUA, quando dois criminosos tentaram assaltar uma loja de armas. Um dos criminosos anuncia o assalto e é morto pelo dono do estabelecimento que reagiu com sua pistola.

Segundo informações da imprensa norte-americana, a polícia informou que dois homens invadiram a loja, em Mableton na Geógia (EUA), na manhã de 26 de dezembro de 2016.

As imagens da câmera de segurança mostraram que os criminosos renderam um funcionário, mas Jimmy Groover, dono do estabelecimento, pegou sua arma e disparou várias vezes em direção dos invasores. Apenas um foi atingido por dois tiros e morreu no local; o outro infelizmente conseguiu escapar e ainda está foragido.

O dono do estabelecimento, Jimmy Groover deu entrevista à emissora “FOX 5 Atlanta”, e disse que só fez que era preciso para salvar a sua vida e a do seu funcionário.

Eu não tive outra escolha. Odeio que isso tenha acontecido. Não queria que ninguém tivesse perdido a vida. É uma tragédia para todos. Trabalho nesse ramo faz trinta anos e isso nunca aconteceu. Não queria que isso tivesse acontecido, mas eu também quero voltar para casa no fim do dia. (Jimmy Groover)

Felizmente Groover não está sendo acusado de nada, e de acordo com o site The Inquisitr News, os investigadores afirmaram que ele não corre risco de ser acusado, pois ele agiu apenas em legítima defesa.

Mas, e o que isso nos mostra? Isso nos mostra que, quando a vítima está armada, provavelmente o predador irá dormir com fome. São inúmeros os casos onde o cidadão armado reage e executa o criminoso. Há até situações que não é preciso usar a arma para amedrontar o bandido.

O livro “Preconceito contra as armas”, de Jonh Lott Jr, nos dá um exemplo muito claro sobre uma ocorrência em que o cidadão não precisou sequer sacar sua arma para se defender do criminoso. Só pelo fato da vítima estar armada, ele simplesmente desistiu do delito.

Um homem armado usando uma máscara de esqui bateu numa porta. Quando um homem respondeu, o bandido tentou forçar sua entrada usando a coronha de sua arma para quebrar o vidro da portinhola, apontando a arma para ele. Quando o homem tentou fechar a porta, o bandido colocou o pé para impedir. O homem gritou para sua esposa para que ela pegasse a arma e chamasse a polícia, e o bandido fugiu. (Preconceito contra as armas, pag.20)

No Brasil, na década de 80, as coisas não eram muito diferentes das que observamos acima. Os bandidos dificilmente invadiam as casas quando haviam pessoas dentro dela, porque sabiam que poderiam entrar em um confronto com uma pessoa armada e por isso evitavam praticar roubos, como aconteceu no estado do Espírito Santo com a loja de armas.

Mas, é notório que as coisas mudaram e infelizmente mudaram para pior. Hoje, dificilmente o cidadão consegue obter uma arma de fogo, uma vez que o Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10826/2003) dificultou essa atividade. A lei submete aos cidadãos uma série de requisitos burocráticos para que este possa ter uma arma no seu patrimônio, e deu ainda mais certeza ao criminoso de que sua vítima não está armada. Infelizmente o resultado que a lei trouxe é assustador. De acordo com o “Mapa da violência”, a taxa de homicídios é de 29 para cada 100 mil habitantes, e os números continuam crescendo drasticamente, diferentemente da década de 80, onde tínhamos uma taxa de 11 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

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Fonte: Movimento Viva Brasil

Depois do caos no Espírito Santo, muitas pessoas favoráveis ao desarmamento civil passaram a mudar de ideia e viram que o Estado não garante a nossa segurança coletiva e individual. Os cidadãos ficaram completamente vulneráveis e não tinham como se defender de uma abordagem criminosa na rua ou até mesmo numa invasão em seu patrimônio.

Nós devemos, de uma vez por todas, deixar claro que, o que realmente nos dá mais chance de sobreviver e mais segurança é, sem dúvidas, uma arma de fogo. O cidadão com um bom preparo jamais irá depender de um Estado falho, com um fornecimento de segurança ineficaz para a sua proteção e da sua família. Mas, para isso temos que lutar para que a atual Lei restritiva seja revogada, e pela aprovação do PL 3722/2012 para que o nosso direito e a nossa liberdade de nos defendermos com uma arma seja respeitado como anteriormente, há 30 anos atrás.

Portanto, fica cada vez mais claro que quando um criminoso sabe que a vítima está armada, dificilmente ele irá tentar praticar algum crime contra ela, e mesmo que tente, o exemplo nos EUA deixou claro que essa ação pode levá-lo a óbito devido a reação da sua presa. Numa sociedade complemente tomada por criminosos, o importante é lutarmos pelo nosso direito à legítima defesa armada e fazer com que o bandido passe a pensar duas ou mais vezes antes de cometer algum delito contra o cidadão honesto.

Referências

Bandido tenta assaltar loja de arma e morre baleado pelo dono. Disponível em: https://www. Youtube. Com/watch? V=oWawFqQghMw

ESTADÃO. Em meio ao caos no Espírito Santo, só loja de armas abre. Disponível em: http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,em-meio-ao-caos-no-espirito-santo-so-loja-de-armas-abre,...

Ricky Harris, o Malvo de “Todo mundo odeia o Chris”, morre aos 54 anos. Disponível: http://ego.globo.com/famosos/noticia/2016/12/ricky-harrisomalvo-de-todo-mundo-odeiaochris-morre-...

11 Comentários

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Perfeito continuar lendo

Sou a favor do porte de arma. Temos que ter pelo menos o direito de defender nossa vida. Aquela lei que fala do direito a legitima defesa e diz que não podemos usar de forma desproporcional a força para repelir a injusta afronta. O criminoso ele usar de proporção para com suas vítimas ? continuar lendo

Mateus, "aquela lei" a qual você se refere, é o Código Penal.

Sobre os limites da Legítima Defesa, quando se fala em uma "ação proporcional" da vítima, há um parâmetro para essa proporcionalidade, que é a ação do ofensor.

Entenda. Se alguém lhe agride, a proporcionalidade que trata da lei, é você se defender até que a outra pessoa pare de agredi-lo. Se após o ofensor parar de agredi-lo, você continuar agredindo-o, você vai além de sua defesa, e isso é um excesso punível.

Por exemplo, reagindo a uma tentativa de assalto onde a vítima possui uma arma de fogo. A vítima alvejar com 2 ou 3 disparos, o assaltante ainda em pé (oferecendo risco), é moderado. Mas a vítima alvejar com 5 ou 6 disparos, o assaltante já caído (já não oferecendo risco), isso é um excesso.

Já vi discussões sobre situações onde o agressor estava com arma branca, e a vítima com arma de fogo, e ao repelir a agressão a vítima dispara contra o rosto do agressor. Ou seja, realizou um disparo letal, em situação onde seria possível repelir a ofensa através de um disparo em um membro inferior ou mesmo no tórax. Ainda que tenha sido apenas 1 disparo, foi em uma área letal, e não seria necessária tal letalidade, havendo um excesso subjetivamente punível.

Estude um pouco mais sobre este instituto penal magnifico que é a Legítima Defesa, o pouquíssimo que sei já me ajuda basta a compreender problemas cotidianos diversos. continuar lendo

Caro, você se esqueceu de mencionar a Pl que garante o direito ao porte de arma para advogados, que ja seria um bom inicio. continuar lendo

Olá, Valdoni. Eu não esqueci de mencionar sobre o porte de armas para advogados. O real interesse deste material foi mostrar que o criminoso tem um certo receio quando suas vítimas estão armadas. Mas no próximo material irei tratar dessa relação entre advogados e armas de fogo. continuar lendo

Caro Rodolfo Agra. Meu comentário anterior onde critico seu completo desconhecimento das ciências penais e suas aplicabilidades forenses foi apagado. Você sabe o que aconteceu? continuar lendo

Felipe Carvalho, este material apenas foi adequado a pedido da Revista Magnum, onde sou colunista. E em relação a sua crítica, você sabe muito bem que todas as nossas leis são falhas na sua aplicabilidade. Há milhares de exemplos que deixa isso bem claro. A teoria é linda e maravilhosa, mas na prática é completamente diferente. E mais, quando afirmei que : "Um criminoso é preso hoje e no outro dia é solto", observe bem a figura de linguagem, meu caro. A hipérbole é justamente aquela figura de linguagem onde expressamos algo de forma exagerada. Mas, infelizmente, nos dias de hoje não há nenhum exagero fazer tal afirmação que fiz anteriormente. Abraço! continuar lendo

Caro Rodolfo, desculpe se não me expressei bem, mas ocorre que não tenho interesse em debater sobre sua opinião, pois visivelmente a mesma fundamenta-se mais em senso comum do que conhecimento técnico.

O que eu realmente gostaria de saber, é sobre meu comentário anterior (que por sinal você mencionou em sua resposta), você o apagou? continuar lendo