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18 de Maio de 2021

Preconceito contra as armas de brinquedo: proibi-las não é a solução para a violência

Rodolfo Agra, Estudante de Direito
Publicado por Rodolfo Agra
há 4 anos

Preconceito com as armas de brinquedo Proibi-las no a soluo para a violncia

No Brasil e no mundo muito se fala na proibição das armas de brinquedo. Com certeza você já ouviu uma teoria de que elas contribuem para que uma criança desenvolva comportamentos violentos e que ela poderá se tronar uma pessoa criminosa no futuro. Tal teoria também abrange os filmes, desenhos e games violentos. Alguns países adotaram a ideia com o “objetivo” de acabar com o ambiente de violência e combater a criminalidade, entretanto, será que essa proibição solucionou o problema na segurança pública?

Não faltam “especialistas” sugerindo a proibição desse tipo de material e principalmente das armas de brinquedo. Parece que desarmar os cidadãos ainda não os deixaram satisfeitos. Há inúmeras provas e estudos que mostram a ineficácia da proposta. Mas enquanto o foco for combater um simples objeto e não o criminoso, nada irá ser resolvido.

Bom, de início vamos usar a pacífica Venezuela, que em 2010 proibiu todo tipo de conteúdo explícito de ação e violência como os jogos de videogame, as armas de brinquedo, os filmes de ação, os desenhos que continham conteúdo de violência e outros artigos semelhantes que façam alusão a guerras ou qualquer ato violência.

A grande justificativa de tal proibição é tentar diminuir o ambiente de criminalidade no País. Mas, vamos aos fatos; segundo dados oficiais da ONU disponíveis até o ano de 2012, a Venezuela é um dos países mais violentos do mundo. São nada menos que 53,7 assassinatos por 100 mil habitantes, mas a pergunta é, a proibição desse tipo de material e principalmente das armas de brinquedo diminuiu a violência? Mas é óbvio que não! A criminalidade continua crescendo de forma assustadora no País. Além ficar evidente que a proibição não adiantou de nada, não há nenhum tipo de estudo ou prova que mostre que as armas de brinquedo, filmes e jogos tornam crianças e adolescentes violentos. Os responsáveis pelos assassinatos são os criminosos em posse de armas verdadeiras, e não as crianças que querem apenas brincar de policial e ladrão, ou de herói que combate vilões.

A cada dia que o governo venezuelano está levando o país em direção a um abismo no sistema econômico, político e principalmente na segurança pública, onde a criminalidade está acima de todos, e não é combatendo armas de brinquedos ou filmes de ação que o cenário irá melhorar.

Infelizmente a proibição desse tipo de material não foi estabelecida apenas na Venezuela. No Brasil, o Estatuto do Desarmamento (Lei 10826/03) também prevê tal proibição em seu artigo 26.

Art. 26. São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas e simulacros de armas de fogo, que com estas possam se confundir.

Fica muito claro que Estado sempre dá um jeito de interferir na vida particular das pessoas. Proibir armas de brinquedo ou não é dever dos pais. Nenhum Governo tem moral alguma para se meter na criação dos nossos filhos, toda a geração de 60 até 90 cresceu utilizando as armas de brinquedos e nem por isso se tornaram criminosos. Como já foi citado, nenhum estudo mostra que armas de brinquedo incentivam um comportamento violento ou criminoso nas crianças como muitos “especialistas” fazem questão de afirmar.

Os mais recentes estudos pedagógicos sérios mostram que crianças aprendem educando o imaginário e absorvendo os valores provenientes daí. Do tipo, quando uma arma de brinquedo está numa brincadeira de polícia e ladrão, se entende ali o que é o mal e o bem. E a criança absorve os valores. O mesmo se dá em jogos de videogame onde somos o herói. Entendemos que estamos lutando para “salvar a princesa”, contra alguma injustiça... Etc. É isto que prevalece. Quando uma brincadeira descontextualizada e subverte os valores, aí é que é perigoso na formação do caráter e cabe aos pais educarem. (Luís Vilar – Jornalista)

Recentemente, a Secretaria de Estado de prevenção à violência (SEPREV) do estado de Alagoas voltou a se manifestar sobre o assunto sendo a favor do que eles chamam do “Desarmamento infantil”. Segundo eles, o objetivo é "articular e promover ações que permitissem a promoção da cultura de paz e não violência em Alagoas”. Mesmo depois de sete anos de existência os resultados das campanhas parecem não ter dado muito certo. Hoje, Alagoas é o estado mais violento do Brasil, com uma taxa de 56,1 homicídios por 100 mil habitantes, mas, como sempre, as grandes inimigas e responsáveis são as armas de brinquedo.

Segundo os autores e especialistas em Aprendizagem Social e Comportamentos Agressivo e Lúdico de Meninos Pré-escolares, (Timóteo Madaleno Vieira, Francisco Dyonisio C. Mendes e Leonardo Conceição Guimarães), o comportamento violento de uma criança não tem absolutamente nada a ver com as armas de brinquedo. Os especialistas afirmam que o que se deve levar em consideração sobre o assunto são as influências de um ambiente. Caso uma criança conviva em um ambiente violento, desestruturado, com comportamentos agressivos dos pais e sem valores morais, ela poderá ser influenciada a ser agressiva e consequentemente se tornar uma pessoa violenta no futuro.

Os especialistas ainda afirmam que, “ Apesar de inevitável, a expressão da agressividade depende de uma série de fatores ambientais durante o desenvolvimento do indivíduo. Estudar como comportamentos agressivos são aprendidos e mantidos na infância é fundamental não apenas para a compreensão teórica do fenômeno, como também para sua prevenção”.

Fica muito claro que armas de brinquedo e comportamentos violentos não tem nada a ver. O fator primordial que temos que observar e dar ênfase e que pode influenciar uma criança a ser violenta é a sua educação e o ambiente em que ela convive. Os valores morais e cívicos que os pais demostram e ensinam são de grande importância para a formação dela.

Portanto, os mais importantes estudos comprovam que os objetos em si não trazem nenhum tipo de má influência para os pequenos, e mesmo que influenciasse em um comportamento inadequado, o dever de proibir ou não é tão somente dos pais e não de um Estado falido tomado pela corrupção e pela imoralidade. Vimos também que não é proibindo os brinquedos que os problemas das altas taxas de homicídios irão ser solucionados ou diminuídos. O estado de Alagoas e a Venezuela são exemplos claros disso. Proibir um objeto é apenas mais um tipo de justificativa para culpá-lo e proteger o criminoso.

Aqui deixo uma grande reflexão do Padre Paulo Ricardo onde o mesmo afirma que nossa geração está cada vez mais acovardada e que as armas de brinquedo não dão má influência se a brincadeira estiver dentro da moralidade.

Hoje em dia estamos em um pacifismo terrível. Os meninos não podem ter mais um brinquedo que seja arma. Antigamente a gente brincava com espada, com metralhadora, pistola, fuzil... Brincadeira de menino era brincadeira de guerra! “ Ah, não pode, porque o menino irá ficar violento! ” Não! O que você tem que ensinar para o seu filho é que ele é um guerreiro do bem, ele deve estar lutando do lado do bem. Se você tira isso dos meninos, você está criando mocinhas covardes, e essa é a realidade dos meninos hoje em dia! Eles não são guerreiros, eles não estão aí para proteger a família deles. O menino que luta com a espada ou a arma ele pensa em matar os ladrões e em fazer justiça. Você tem que olhar para o seu filho e olhar se ele está lutando do lado do bem ou do mal, do lado da justiça ou da injustiça, porque isso é simplesmente fantasia. Ele não irá crescer na violência se a fantasia de guerra que ele fazia era dentro da moralidade.


Referências

BARBOSA, Bene. Arma de brinquedo é coisa de gente grande? Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/arma-de-brinquedoecoisa-de-gente-grande-bmygwfbktv5...

BARBOSA, Bene. Alagoas: No estado mais violento do país o inimigo são as armas de brinquedo. Disponível em: http://www.cadaminuto.com.br/noticia/293966/2016/10/14/alagoas-no-estado-mais-violento-do-paisoini... 

BARBOSA, Bene. O nada paradoxal desarmamento na Venezuela. Disponível: em: http://www.mvb.org.br/noticias/index.php?∾tion=showClip&clip12_cod=1732

Movimento Viva Brasil. Dia do desarmamento infantil: brincando com coisa séria. Disponível em: http://www.mvb.org.br/campanhas/armas_brinquedo.php

Pais, armas de brinquedo sim ou não? – Pe. Paulo Ricardo. Disponível em: http:/www. Youtube. Com/whatch? V=xCDUHucC37E

VILAR, Luís. Querer proibir armas de brinquedo: Uma bobagem! Disponível em: http://www.cadaminuto.com.br/blog/blog-do-vilar/294048/2016/10/17/querer-armas-de-armas-de-brinquedo...

30 Comentários

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Nos tempos atuais, raros os textos como este. continuar lendo

Nobres Colegas, durante a minha infância e pré adolescência, tive diversas armas de brinquedo, nem por isso, me tornei uma pessoa violenta ou bandida, não nego, tenho fascinação por armas, acredito que isto não influencia a formação da criança para o mal. Agora, o que deve ser combatido são estes jogos de GTA e outros que são verdadeiros simuladores para o crime e a violência, afetando a formação da personalidade da crianças e/ou adolescentes. Concordo que os atuais simulacros que são replicas fieis das armas de verdade, devem ser proibidas e/ou controladas sua fabricação e venda, pois criminosos se utilizam delas para praticar crimes, a vítima não tem como saber se é simulacro ou arma real sendo utilizada. O artigo: 26 do Estatuto do Desarmamento proíbe, a fabricação, comercialização e importação, contudo, não aplica sanções, portanto, norma inócua. É necessário que haja um controle rígido destes simulacros que invadiram as ruas e o comércio do Brasil, pois sua grande maioria esta sendo usada por salteadores na prática de crimes. continuar lendo

@euclidesaraujo Milhões no mundo cresceram com jogos muito mais violentos que GTA e não se tornaram assassinos ou marginais. Quanto às armas falsas, há dois comentários

1) Marginal prefere as verdadeiras. As falsas não são úteis.
2) Se não me engano, o uso de armas falsas em crime atenua a pena. Se realmente for isto, a falha está na Lei e exatamente pelo que você disse: a vítima não tem como saber que é falsa. continuar lendo

Muito bom o texto, penso que armas de brinquedo não influenciam na educação de uma criança e sim o amparo familiar para guiar ao rumo certo e o errado. continuar lendo

Passei a minha infância brincando de polícia e bandido, numa infância saudável e alegre. Hoje as crianças ficam sozinhas em frente à tv assistindo programas de violência real e explícita, os vídeos games violentíssimos. Não contam com nenhuma vigilância, aconselhamento e atenção dos pais. Alguns tbém presenciam violência em casa...mas, vamos culpar as armas de brinquedo continuar lendo

Proibir armas de brinquedo realmente não resolve a violência. Todavia, entendo que o uso desse tipo de arma para cometimento de crimes deve ser punido com rigor, como se com arma real fosse, pois a vítima, em geral, não sabe que a arma é de brinquedo e o efeito intimidador é atingido. continuar lendo

O detalhe é que os abolicionistas, geralmente os mesmos que defendem a "santidade" do suspeito que levou um tiro na cara enquanto estava tentando assaltar alguém utilizando um simulacro, são os mesmos que desejam proibir que crianças brinquem com armas de brinquedo.

Assaltar, beleza, é permitido, mas deixar seu filho brincar de polícia e ladrão com revólveres de plástico, na visão destes, deve ser punido com prisão, e se possível, apedrejamento público. continuar lendo